Neste canal do site você poderá conhecer mais sobre gente de bem que multiplica bondade através da música, literatura, dos púlpitos, das artes, da vida acadêmica entre outras áreas.

Artista: Fred Carrilho.

Conheci o Fred há muitos anos atrás, era 1995, enquanto cursávamos Música numa Universidade Paulistana. Os anos passaram, trilhamos caminhos geograficamente opostos e agora em 2012 nos reencontramos on-line! Fred Carrilho, continuando sua carreira musical desbrava hoje um terreno árido, o da música instrumental Brasileira, mantendo sua identidade Cristã em suas composições, compartilhando talento, profundidade e muita música de qualidade. Vale a pena conhecer o trabalho do Fred! Por isso, ele abre esta nova área do site.

Bem Vindo ao LinkINTERVIEW,

Revd André Mira, MA

Fred, conte um pouco sobre a sua formação musical?

Minha formação musical formal se iniciou quando ingressei no Conservatório Musical “Lins de Vasconcelos” com o Maestro, professor e violonista Gualtieri Beloni Filho. Posteriormente, fiz uma graduação em Música com especialização em Violão Clássico pela FAAM/Uni-FMU; Composição Musical pela Universidade de Campinas e um Mestrado em Música também pela UNICAMP. Quando criança estudei com o Pastor Odilon dos Santos Pereira sempre após os cultos de oração, às 4as-Feiras

Como foi a experiência de estudar música, sobreviver e fazer música no inicio da carreira?

Estudar música pra mim sempre foi uma atividade sensível e desafiadora ao mesmo tempo. Além disto, uma busca pelo conhecimento e também aprimoramento.  Comece realmente entender as questões de leitura musical, interpretação da notação musical e consciência técnica entre os 13 e 15 anos de idade. A partir desta época tiveram início os anos de dedicação, que perduraram durante toda a minha adolescência e seguiram por muitos anos a frente.

Com 17 anos ministrava aulas de violão, teoria musical e guitarra. Durante todos estes anos eu sempre estive focado na performance e técnica do repertório tradicional de violão e de guitarra.

Os primeiros esboços composicionais e de arranjos começaram por volta dos 13 anos quando ouvia muita música erudita (instrumental e vocal). Como o volume e, principalmente, acesso a partituras de arranjos e composições de música sacra para violão eram muito difíceis ou raros, passei a pensar e elaborar, lá pelos 15 anos, os meus próprios arranjos. Eram predominantemente de hinos do Cantor Cristão. Já nesta idade participava dos cultos e de eventos musicais nas Igrejas tocando arranjos de Hinos.

Como nas Artes em geral, o trabalho artístico é bastante complicado no Brasil. Quando se trabalha com música instrumental ou mesmo erudita, a área de atuação é bastante restrita, sobretudo para os instrumentos que não fazem parte de grupos instrumentais como, por exemplo, orquestras e conjuntos. Assim, o que sempre salientei é que o músico precisa ser realmente versátil seja como instrumentista ou como professor.

Do que sente saudade desta época?

Foi uma época de grandes descobertas musicais e artísticas. Sinto saudade daquela motivação pura e, principalmente, das parcerias musicais, de tocar com os amigos e dos trabalhos diversos que realizava nas Igrejas. Todo este período coincidiu com o aflorar da música gospel no Brasil o qual gostaria de citar aqui: na década de 80 com grupos como Vencedores por Cristo, Grupo Logus, Asaph Borba, Comunidade da Graça e muitos outros. Já na década de 90 bandas como Katsbarnéa, Resgate, Oficina G3, Rebanhão, Stryper, Petra, etc.

Que gênero você dá ao seu trabalho artístico?

O meu trabalho artístico-musical é predominantemente instrumental que poderia classificar como sendo uma fusão da música erudita, música experimental, jazz e gospel.

Fale sobre as experiências que mais marcaram a sua carreira até o presente.

Minha postura como artista e profissional da música sempre foi fundamentada na versatilidade. Assim, obtive uma diversificada gama de atuações e realizações.

Como formação acadêmica eu citaria:

  • Mestrado em Música pelo Instituto de Artes da UNICAMP.
  • Bacharelado em Violão Erudito pela FAAM-UniFMU e em Composição e Regência pela UNICAMP.
  • Em meados da década de 90 fui articulista, arranjador e transcritor da revista Cover Guitarra, onde apresentei a coluna “A História do Violão e Sua Evolução” e arranjos e transcrições para guitarra.
  • Recentemente fui colunista da revista ViolãoPro com a veiculação de  obras,  arranjos  e artigos sobre a música instrumental para violão.
  • Tive a honra de aprender, conviver e tocar em Duo com o Henrique Pinto que foi um dos maiores professores do Violão no Brasil.
  • A obra ‘O Despertar do Anjo’ foi premiada na XIV Bienal de Música Brasileira Contemporânea promovida pela FUNARTE (Ministério da Cultura).
  • Em 2005 fui selecionado para o Oregon Bach Festival Symposium for Composers, em Oregon, EUA, onde apresentei a obra ‘Journey to Eternity’ para steel string guitar e live electronics.
  • A estréia da obra EVENTVM III, ocorreu durante a XVI Bienal de Música Brasileira Contemporânea (FUNARTE), na sala Cecília Meireles, Rio de Janeiro.
  • Em Outubro de 2007, a obra PROFUSÃO5 (Toccata), para Quarteto de Percussão, foi estreada durante a XVII Bienal de Música Brasileira Contemporânea.
  • Em 2008 e 2009 estive pela Europa quando a oportunidade de apresentar o CD Alegria Eterna, com obras e arranjos de minha autoria. Como convidado gravei as guitarras e violões do grupo de jazz MMGroup, na Polônia. Além deste CD, tive a oportunidade de realizar gravações na Universidade de Varsóvia dar aulas e workshops para o público infanto-juvenil. Em Gotemburgo, na Suécia, realizei gravações com o flautista de jazz Simon Jensen e na Alemanha toquei no JazzFest de Brandemburgo.
  • A obra BRASILESSÊNCIA foi premiada na Holanda no concurso promovido pelo NIEUW Ensemble a qual teve sua estréia mundial em Amsterdã durante o GAUDEAMUS MUSIC WEEK.
  • Gravei O DVD “Hino do CORINTHIANS”, gravado no Memorial do S.C. CORINTHIANS PAULISTA, o qual foi um projeto aprovado e apoiado pelo próprio Clube.

Se o tempo voltasse o que você faria diferente na sua carreira musical?

Eu trabalharia mais na realização de gravações em estúdio e teria composto mais música.

Descreva o seu estilo, ou a variedade deles?

Integração é o conceito que posso dizer definir melhor a fusão de gêneros que estão de alguma forma presentes na minha música. Mas para citar alguns gêneros de maneira mais pontual eu diria: a música erudita (da renascença ao momento atual), o jazz, o rock progressivo dos anos 70, alguma música brasileira de boa qualidade e música cristã, especialmente, a música sacra que pode ser litúrgica ou de concerto.

Como a sua espiritualidade & fé pessoal é compartilhada em suas composições?

A grande maioria do meu trabalho musical – para violão, guitarra, banda, conjuntos de câmara ou mesmo formações instrumentais como ensembles ou orquestras, é de caráter cristão. Mesmo as obras seculares eruditas que, eventualmente, não tenham um título sacro são, assim como todas as demais, dedicadas à Honra e Glória do Deus altíssimo.

Continua difícil ser músico no Brasil?

O Brasil é um país que não teve uma formação musical abrangente e ainda continua ‘engatinhando’ no que diz respeito à música instrumental. Sempre procuro salientar que a cultura e a educação são os pilares centrais para uma sociedade mais sensível, equilibrada e, sobretudo, elevada. Como em muitos lugares ao redor do mundo a música popular é o material que continua a ser usado extensivamente como produto comercial, utilizado como um dos elementos contidos dentro do pacote da indústria do entretenimento. É o que eu classifico como elaboração sonora com fins exclusivamente comerciais.

A alternativa que é mais comum para os músicos em geral, além de ser professor de música (fato que deveria ser dos mais valorizados na educação das pessoas) é o de freelancer – tocar em eventos e ambientes noturnos.

De fato, continua complicado trabalhar como músico instrumentista no Brasil.

Desde a década de 90, quando passei a trabalhar intensamente com música, mantenho a motivação para incentivar as Igrejas a darem o máximo suporte possível para seus músicos e todas as pessoas envolvidas interina ou parcialmente no trabalho da Igreja local. Um modelo e também exemplo é o que vemos na estrutura Levítica conforme descrito no Antigo Testamento.

Como podemos pensar o ministério de música na Igreja?

Afim de fortalecer os jovens e também os que já tem se dedicado há anos no trabalho musical cristão eu gostaria de descrever brevemente o ministério levítico:

Levitas eram os membros da tribo de Levi, terceiro filho do patriarca Jacó. Formavam uma tribo separada, sem território, sem herança terrena porque tinham o alto privilégio de ter o Senhor como seu quinhão, sua posse (Dt 10.9). Era a tribo dos sacerdotes (cohanim), descendentes de Arão, por sua vez descendente de Levi (Ex 29.44; Nm 3.10). Isso quer dizer que todo sacerdote (cohen) era levita levi), mas nem todo levita era sacerdote (Nm 3.6s).

Os levitas (leviim) tinham, entre outros privilégios:

  • Servir no santuário (Nm 3.6; 1Cr 15.2) ajudando nos sacrifícios (Jr 33.18,22), na recepção de oráculos (Nm 3.38; 2Rs 12.9ss;
  • Transportar a arca da aliança (aron haberith);
  • A responsabilidade do ensino da lei (Dt 31.9; 22.10);
  • Autoridade para abençoar. Grande privilégio pela associação como o Nome de Deus (Nm 6.27).

De elevada estima aos olhos do Senhor a ponto de lhes ser dito: “… os levitas serão meus” (Nm 8.14b).

Por fim, I Crônicas 23: 26 a 32 e Levíticos resumem o ministério levítico e nos aponta de modo sugestivo um plano de trabalho para nós mesmos.

Recado para os internautas

  1. Ocupem o tempo com o máximo de atividades elevadas, construtivas e que agreguem não apenas ao intelecto mas também ao Espírito. Cultivem em primeiro lugar a apreciação e o aprofundamento na Arte.
  2. Perseverem na Fé e no Amor!

 Confira abaixo algumas musicas de Fred Carrilho

Em Meu Lugar
Mais Perto
[Re]Birth
The Bless
Hino do Corinthians para Violão solo
Email para contato: fred.carrilho@gmail.com

Os cds e o dvd podem ser adquiridos diretamente pelo www.fredcarrilho.com.br ou pelo email fred.carrilho@gmail.com