Festa da Pascoa –  Lição 02

Estas são as solenidades do SENHOR, as santas convocações, que convocareis ao seu tempo determinado:No mês primeiro, aos catorze do mês, pela tarde, é a páscoa do SENHOR. (Lv.23.4,5)

Das grandes Festas Bíblicas, a Pascoa é a mais concorria e a 1ª Festa do ano, se inicia no findar do dia 14 do mês Nisã que também é conhecido por Abibe, e dura 07 dias, portanto de 15 a 21, é muito simples de entendermos o por que desta preferencia. Foi neste dia que o SENHOR libertou o povo da escravidão no Egito, esta comemoração se estende até os dias de hoje, com tudo, ela foi sofrendo ao longo dos anos, principalmente no periodo do cativeiro Babilônico, algumas modificações no seu ritual.  A palavra “Páscoa” é de origem hebraica “Pessach” e significa “passagem”. Atenção não tem nada haver com a pascoa dos gostosos ovinhos de chocolate que comemoramos.

1ª pergunta: Passagem do que?

Quando lemos Ex.12.27 fica claro o porque da expressão Pascoa.

Então direis: Este é o sacrifício da páscoa ao SENHOR, que passou as casas dos filhos de Israel no Egito, quando feriu aos egípcios, e livrou as nossas casas. Então o povo inclinou-se, e adorou.

DEUS passou por sobre as casas dos hebreus no Egito e não os feriu. Podemos também encontrar em alguns outros textos a referem a Pascoa com o nome de “Festa dos Asmos” ou “Festa dos pães ázimos”.

2ª Pergunta:

– Por que se usou o “pão ázimo” e o cordeiro na saída do povo do Egito e não outros alimentos?

A resposta clássica seria que o pão sem fermento é devido a pressa da saída e não daria tempo para esperar a fermentação da massa, o sangue do cordeiro aspergido sobre a porta era um sinal de FÉ e obediência e a carne como um suplemento alimentar. Respondendo a respeito de outros alimentos eu diria que sim, mas como nosso DEUS trabalha no silencio e tudo tem um porque diríamos que DEUS usando estes elementos resgatou uma antiga Festa existente, e que talvez o povo já tivesse ate se esquecido. Quando Moises e Arão vão ate Faraó eles pedem algo, vejam o texto:

E depois foram Moisés e Arão e disseram a Faraó: Assim diz o SENHOR Deus de Israel: Deixa ir o meu povo, para que me celebre uma festa no deserto.
Mas Faraó disse: Quem é o SENHOR, cuja voz eu ouvirei, para deixar ir Israel? Não conheço o SENHOR, nem tampouco deixarei ir Israel.(grifo é meu) (
Êx. 5:1-2)

3ª Pergunta: Que “Festa” é esta que Moises se refere?

Quando o povo hebreu ainda vivia de forma tribal, e nômade eles comemoravam duas festas, uma agrícola onde se comemorava a colheitas dos grãos, esta festa era chamada de “Pães Ázimos” que era um tipo de pão que tinha que ser comido no mesmo dia pois não tinha o fermento, a outra era uma “Festa Pastoral”, onde os criadores de ovelhas, que era a grande especialidade dos hebreus, ofereciam ao SENHOR um cordeiro em agradecimento a chegada da primavera onde teriam farta pastagem.  Ambas as festas eram comemoradas no Mês de Nisã na estação da Primavera. Moises e Arão foram pedir que Faraó deixasse o povo ir comemorar estas festas, afinal já se passavam mais de 400 anos de Egito e o povo hebreu já tinham se esquecido destas Festas, tudo isto foi conforme a orientação de DEUS, vejam o texto:

E ouvirão a tua voz; e irás, tu com os anciãos de Israel, ao rei do Egito, e dir-lhe-eis: O SENHOR Deus dos hebreus nos encontrou. Agora, pois, deixa-nos ir caminho de três dias para o deserto, para que sacrifiquemos ao SENHOR nosso Deus. (Ex.3.18)

DEUS sabia que Faraó, por medo do povo não voltar, não deixaria o povo ir sacrificar o cordeiro ao SENHOR. Moises seguindo rigorosamente a orientação de DEUS invocou então as pragas contra o Egito, é importante notarmos que hora Faraó deixava o povo ir e logo desistia e os juízos foram acontecendo até que Moises deu um ultimato: A morte de todos os primogênitos:

À meia-noite eu sairei pelo meio do Egito; e todo o primogênito na terra do Egito morrerá, desde o primogênito de Faraó, que se assenta com ele sobre o seu trono, até ao primogênito da serva que está detrás da mó, e todo primogênito dos animais. E haverá grande clamor em toda a terra do Egito, qual nunca houve semelhante e nunca haverá (Ex.11.4-6).

Faraó continua endurecendo. Moises orienta o povo hebreu como deveriam se portar para não serem atingidos por este terrível juízo dos primogênitos.

E o guardareis até ao décimo quarto dia deste mês, e todo o ajuntamento da congregação de Israel o sacrificará à tarde.
E tomarão do sangue, e pô-lo-ão em ambas as ombreiras, e na verga da porta, nas casas em que o comerem.
E naquela noite comerão a carne assada no fogo, com pães ázimos; com ervas amargosas a comerão.
Não comereis dele cru, nem cozido em água, senão assado no fogo, a sua cabeça com os seus pés e com a sua fressura.
E nada dele deixareis até amanhã; mas o que dele ficar até amanhã, queimareis no fogo.
Assim pois o comereis: Os vossos lombos cingidos, os vossos sapatos nos pés, e o vosso cajado na mão; e o comereis apressadamente; esta é a páscoa do SENHOR.(
Ex.12.6-11.)

Mais uma vez DEUS prova a obediência e a confiança do povo, eu particularmente acredito que muitos hebreus não obedeceram e sofreram as consequências. Estrangeiros que também viviam escravos no Egito, também foram beneficiados com a proteção do sangue do cordeiro.

Assim partiram os filhos de Israel de Ramessés para Sucote, cerca de seiscentos mil a pé, somente de homens, sem contar os meninos.
E subiu também com eles muita mistura de gente, e ovelhas, e bois, uma grande quantidade de gado
(grifo é meu) (Ex.12.27,38)

Resumidamente a ordem foi: no 10ª dia deste mês (Nisã), “separem um cordeiro de 1 ano, macho e sem defeito e guarde ate o dia 14, no final da tarde imole-o, sem quebrar nenhum osso, e passe o seu sangue em ambas as ombreiras da porta e comam toda sua carne com pães sem fermento e ervas amargas, o que sobrar queime. Quem assim fizer não será atingido pela praga dos primogênitos”.

Faraó diante das mortes permite a saído do povo, era o final do dia 14 de Abibe e este dia é comemorado ate os dias de hoje como o Dia da Pascoa.

É fácil de notarmos, quando estudamos os Livros da Lei, que todas as Festas foram regulamentadas dentro de um ritual.

Regulamento da Pascoa:

Guarda o mês de Abibe, e celebra a páscoa ao SENHOR teu Deus; porque no mês de Abibe o SENHOR teu Deus te tirou do Egito, de noite.
Então sacrificarás a páscoa ao SENHOR teu Deus, das ovelhas e das vacas, no lugar que o SENHOR escolher para ali fazer habitar o seu nome.
Nela não comerás levedado; sete dias nela comerás pães ázimos, pão de aflição (porquanto apressadamente saíste da terra do Egito), para que te lembres do dia da tua saída da terra do Egito, todos os dias da tua vida.
Levedado não aparecerá contigo por sete dias em todos os teus termos; também da carne que matares à tarde, no primeiro dia, nada ficará até à manhã.
Não poderás sacrificar a páscoa em nenhuma das tuas portas que te dá o SENHOR teu Deus;
Senão no lugar que escolher o SENHOR teu Deus, para fazer habitar o seu nome, ali sacrificarás a páscoa à tarde, ao pôr do sol, ao tempo determinado da tua saída do Egito.
Então a cozerás, e comerás no lugar que escolher o SENHOR teu Deus; depois voltarás pela manhã, e irás às tuas tendas.
Seis dias comerás pães ázimos e no sétimo dia é solenidade ao SENHOR teu Deus; nenhum trabalho farás.(
Dt.16.1-8)

Pergunta: “O que tudo isto tem a ver conosco.”

Existem muitas linhas de pensamento a respeito do simbolismo dos elementos da pascoa.

1ª) um teste de fé e obediência, quem acreditou e obedeceu foi salvo. A nossa Salvação também esta vinculada a FÉ e OBEDIENCIA, só termo fé não basta, temos também que OBEDECER. Eu creio que muitos israelitas acreditavam em DEUS, mas desobedeceram a ordem: Morreram.

2ª) o cordeiro sem defeito representa CRISTO, que foi imolado sem quebrar nenhum osso para nos resgatar do pecado.

3ª) O Sangue aspergido significava a proteção contra a morte, assim como o Sangue de CRISTO também nos protege da morte eterna.

4ª) Pães ázimos é um pão que tem que ser comido no mesmo dia, ele não leva fermento, ele e um pão puro. Diríamos que ele pode representar tudo aquilo que alimenta a nossa FÉ diariamente

5ª) Ervas amargas, simbolizavam a amargura e a dureza da vida no Egito, isto nos remete as durezas que temos que enfrentar no nosso dia-a-dia.

Quando estudamos o Novo Testamento, facilmente encontramos Jesus participando da festa da Pascoa, tudo em cumprimento da Lei, em todas elas ele aproveitava a grande concentração de pessoas para dar a sua Mensagem e fazer Milagres. Alguns textos, também nos mostra a ultima Pascoa de JESUS: Mat 26.20,21; Marc 14.17,18; Luc 22.14,15,18.

E, no primeiro dia dos pães ásmos, quando sacrificavam a páscoa, disseram-lhe os discípulos: Aonde queres que vamos fazer os preparativos para comer a páscoa?
E enviou dois dos seus discípulos, e disse-lhes: Ide à cidade, e um homem, que leva um cântaro de água, vos encontrará; segui-o.
E, onde quer que entrar, dizei ao senhor da casa: O Mestre diz: Onde está o aposento em que hei de comer a páscoa com os meus discípulos?
E ele vos mostrará um grande cenáculo mobilado e preparado; preparai-a ali.
E, saindo os seus discípulos, foram à cidade, e acharam como lhes tinha dito, e prepararam a páscoa.
E, chegada a tarde, foi com os doze.
E, quando estavam assentados a comer, disse Jesus: Em verdade vos digo que um de vós, que comigo come, há de trair-me.

E, comendo eles, tomou Jesus pão e, abençoando-o, o partiu e deu-lho, e disse: Tomai, comei, isto é o meu corpo.
E, tomando o cálice, e dando graças, deu-lho; e todos beberam dele.
E disse-lhes: Isto é o meu sangue, o sangue do novo testamento, que por muitos é derramado. (
Mc.14.12-24)

            A festa da Páscoa, como já dissemos sofreu uma forte ritualização e modificações principalmente no periodo do cativeiro Babilônico. Nos dias de hoje ela é comemorada pelos judeus da seguinte forma:

“O presidente da mesa pronunciava duas fórmulas de bênção sobre o cálice … Bebia-se, então, o primeiro cálice. Em seguida serviam-se pães ázimos e verduras que o presidente da mesa distribuía, depois de lavar as mãos, pronunciando uma ação de graças e provando das comidas. Servia-se agora o cordeiro pascal assado. Misturava-se o segundo cálice, explicando-se o sentido da refeição e o simbolismo dos ritos com referência à saída do Egito, e se cantava a primeira parte do Hallel (Sl 113 e 114,1-18). Bebia-se então o segundo cálice, e depois de se lavar novamente as mãos e de uma oração de louvor a Deus, comia-se o cordeiro pascal, com ervas amargas e pães ázimos, que se mergulhavam no haroset, uma mistura de várias frutas. Seguia-se, então, o terceiro cálice, chamado o ‘cálice da bênção’,  porque neste momento se pronunciava uma terceira ação de graças sobre a ceia. No quarto cálice cantava-se a segunda parte do Hallel (Sl 115-118), na qual Israel exprimia a esperança da restauração messiânica” .

A festa se prolonga por 07 dias em Israel e por 08 dias na diáspora (para quem vive fora de Israel). O primeiro dia representa a saída do Egito e o sétimo a passagem pelo mar vermelho, o primeiro e sétimo dia são os mais importantes, sempre ocorre na primavera de Israel época da renovação da natureza. Quando cai num sábado chama-se Shabat Hagadol, porque os judeus saíram do Egito também num sábado. (Hagadah quer dizer relato). Exige-se também que a casa esteja totalmente limpa e que não tenha nenhum tipo de alimento fermentado em seu interior. Se for um comerciante seguidor das tradições, ele tem que se desfaz de tudo que é alimento ou bebida fermentada antes da semana da Pascoa.

A festa da Pascoa seguindo a orientação Bíblia ou rabínica tem haver somente com os Judeus que não aceitou a CRISTO como o Cordeiro que foi Imolado na cruz e derramou seu sangue para nos remir e nos libertar da escravidão do pecado.

Você crê nisto?

Então obedeça a ordem e siga a orientação que é anunciai a CRISTO como libertador dos pecados.

(Se você tiver algum comentário ou pergunta, fale conosco).

Pedro Eduardo Corona – Londres-UK – 11/2012.