Acredita-se que esta Festa iniciou-se com o nome de Festa das Colheitas ou Sega, depois passou a ser chamada de Festas das Semanas em referência ao tempo de sua duração – 07 semanas, e só mais tarde e por influência do domínio Grego (+ – 331 anos AC) que passou a ser chamado de Festa de Pentecostes por se iniciar 50 dias após a Pascoa, não tem um dia fixo, mas sempre fica entre dia 06 e 08 do mês de Sivã (Maio-junho).

Também guardarás a festa das semanas, que é a festa das primícias da sega do trigo, e a festa da colheita no fim do ano. ( Ex.34.22) .

Depois para vós contareis desde o dia seguinte ao sábado, desde o dia em que trouxerdes o molho da oferta movida; sete semanas inteiras serão.
Até ao dia seguinte ao sétimo sábado, contareis cinqüenta dias; então oferecereis nova oferta de alimentos ao SENHOR. (
Lv.23.15,16).

          Antes de entrarmos no estudo da Festa, eu gostaria de fazer uma pergunta aos Irmãos:

– Por que JESUS usou a Festa de Pentecostes e não a Festa da Pascoa para enviar o Seu Espirito Santo e instalar a sua Igreja? Considere antes de responder:

–    Foi na Pascoa que DEUS orientou que sacrificassem um cordeiro sem defeito algum e o sangue deste cordeiro os livraria da morte, e isto aconteceu.

–    Em ambas havia uma grande concentração de pessoas em torno do Templo

– Que paralelo podemos traçar entre a Festa das Semanas (Colheitas ou Pentecostes) com a Igreja de Cristo?

É isto que vamos discorrer, como já dissemos, as Festas Bíblicas não eram apenas um encontro social, tinham um significado que refletem até os dias de hoje. Sempre é bom lembrarmos que a Bíblia menciona 02 tipos de Festas:

  • Instituídas por DEUS: Pascoa, Semanas e Tabernáculos, nestas todos os israelitas capazes e não inválidos ao trabalho tinham que comparecer.
  • Rabínicas: Festa do Purim. Festa da Dedicação, estas não eram presença obrigatória.

Todas tinham 03 finalidades: Adoração, Agradecimento e Comunhão. Em cada uma delas os AGRADECIMENTOS sempre eram feitos com as primícias do trabalho:

  • Pascoa – primícias do rebanho;
  • Semanas – primícias das colheitas de cereais e
  • Cabanas – primícias das colheitas das frutas

FESTA DAS SEMANAS:

Diferentemente da Festa da Pascoa, que é uma festa doméstica e intima, pois acontece no interior dos lares, e restrita exclusivamente aos israelitas se algum não judeu quiser participar (até os dias de hoje) tem que ser circuncidado, a Festas das Colheitas, ou Semana, ou Pentecostes, era uma Festa aberta, estritamente agrícola, onde todos se encontravam nos campos (senhores de terra, servos, viúvas, peregrinos e até os estrangeiros) – diríamos com muita segurança: “era uma festa ecumênica, aberta a todos”.

Origem:

Sua origem foi agrícola, pois se dava nas lavouras de trigo, cevada e outros cereais, mas com o Rei Josias ela e as demais foram levadas para dentro de Templo. Mais adiante veremos o porquê e a liturgia. A razão deste nome vem pelo período de sua duração – 07 semanas. Inicia-se 50 dias depois da Pascoa, ou seja, com a colheita da cevada e vai até a colheita do trigo. Todas as Festas tinham o dia das Primícias, que era uma oferta voluntaria, na Festa das Semanas oferecia ao SENHOR uma porção dos primeiros grãos colhidos. Assim como na “Festa da Pascoa”, a “Festa das Semanas” também sofreu algumas modificações, diríamos que a primeira e grande modificação foi no reinado de Josias, o povo estava totalmente desviado da LEI, tinha perdido o foco de tudo inclusive das Festas, Josias assume muito jovem e só no 18ª ano de seu reinado ele inicia o processo de restauração da cultura do povo. Josias valorizando a adoração a DEUS, trouce as “Festas” para dentro do Templo (IIRs.23.21; IICr.35.1-19). Josias foi aquele Rei que não desviou nem para direita nem par esquerda (IIRs22.2).

A liturgia da Festa das Semanas não ficou bem definida dentro do Templo, mas alguns momentos são claros.

1ª momento: INICIO:

Sete semanas contarás; desde que a foice começar na seara iniciarás a contar as sete semanas.( Dt.16.9).

          Sete semanas depois de começarem a colher os cereais inicia-se a Festa das Semanas. Um detalhe importantíssimo nesta colheita que não podemos era o direito de “respigas” Guardem bem esta Lei, e vejam como o nosso DEUS trabalha no silencio e como seu pode atingir a todos.

E, quando fizerdes a colheita da vossa terra, não acabarás de segar os cantos do teu campo, nem colherás as espigas caídas da tua sega; para o pobre e para o estrangeiro as deixarás. Eu sou o SENHOR vosso Deus.( Lv.23.22).

Esta Lei ficou conhecida como “Lei da respigas.”

Diríamos que com esta “Lei”, DEUS estava ensinando o seu povo três coisas:

  • Solidariedade,
  • Fraternidade e também
  • Ninguém se achegasse até ELE de mãos vazias.

“Lei do respigar beneficiava até os estrangeiros”. O Livro de Rute demonstra com muita clareza a pratica desta Lei: Rt.2.1-7, e até os dias de hoje ele é muito lido nas Sinagogas.

2ª momento: PEREGRINACAO:

Os ofertantes deveriam seguir em peregrinação, com seus feixes até o local do culto e entrega-los ao Sacerdote.

E ele moverá o molho perante o SENHOR, para que sejais aceitos; no dia seguinte ao sábado o sacerdote o moverá. (Lv.23.11).

          Só depois desta entrega que os proprietários poderiam usufruir da colheita (Lv.23.14)

3ª momento: “Santa Convocação”:

Era o grande encontro ecumênico entre senhores de terra, escravos, peregrinos e estrangeiros e nenhum tipo de trabalho poderia ser feito neste dia – era um dia de ações de graças a DEUS.

E naquele mesmo dia apregoareis que tereis santa convocação; nenhum trabalho servil fareis; estatuto perpétuo é em todas as vossas habitações pelas vossas gerações. (Lv.23.21).

E te alegrarás perante o SENHOR teu Deus, tu, e teu filho, e tua filha, e o teu servo, e a tua serva, e o levita que está dentro das tuas portas, e o estrangeiro, e o órfão, e a viúva, que estão no meio de ti, no lugar que o SENHOR teu Deus escolher para ali fazer habitar o seu nome.) Dt.16.11).

4ª momento: LEMBRANCAS:

Não era só festa, tinha o momento de lembrar como DEUS os tirou da servidão do Egito. Nesta ocasião dedicava todo tempo para estudar o Toha.

E lembrar-te-ás de que foste servo no Egito; e guardarás estes estatutos, e os cumprirás. (Dt.16.12)

Resumidamente podemos dizer que a Festa das Semanas era:

  1. Agradecimento a DEUS como criador dos ciclos da natureza que beneficia tanto hebreus como não hebreus. Agradecer pelo dom da terra (morar, plantar e alimentar-se dela).
  2. Estudos das Leis de DEUS.
  3. Reconhecimentos que se não fosse por DEUS eles não estariam livres
  4. Comunhão: Só a incapacidade física e as doenças eram motivo para não participarem destas comunhões.
  5. Ofertavam com as primícias do trabalho, não com o que estava sobrando.
  6. Fraternidade, diferentemente da Festa da Pascoa, que era restrita aos circuncisos não imundos (Nm.9.1-14), a Festa das Semanas era aberta a todos, inclusive estrangeiros incircuncisos (não hebreu) era uma festa ecumênica, o desejo de DEUS é que seu Povo fosse solidário uns com os outros. A Lei da Respigas tinha que ser observada.

Passaram se 1500 anos da celebração da primeira Pascoa e primeira Festa das Colheitas. O Messias veio, morreu, foi sepultado e ressuscitou. Antes de ser morto participou de uma Pascoa com seus discípulos e ordenou que esperassem pelo “Consolador”, esperaram pela promessa e no 50ª dia da Pascoa estavam reunidos e algo sobrenatural aconteceu e todos ficaram cheios do Espirito Santo.

Nasce a Igreja de CRISTO no dia da Festa de Pentecostes.

Volto a pergunta do início:

“Por que JESUS não usou a Festa da Pascoa para enviar o Seu Espirito Santo e instalar a sua Igreja? Sendo que foi na Pascoa que o sangue do cordeiro livrou o povo da morte.

– Considere que em ambas havia uma grande concentração de pessoas em torno do Templo

– Que paralelo podemos traçar entre a Festa das Semanas (Colheitas ou Pentecostes) com a Igreja de Cristo?

  1. R) Como já dissemos, a Festa da Pascoa era uma Festa restrita e particular, ou seja, somente para os israelitas, enquanto a Festa das Semanas era aberta a todos, solidária, todos que quisessem podiam ser beneficiados com a Festa. Por isto CRISTO usou a Festa das Colheitas. O paralelo está ai, a verdadeira Igreja de CRISTO também tem que ser aberta, tem acolher a todos indiscriminadamente, jamais perder a ideia do repartir, o repartir a “Palavra de DEUS” e o pão material e cultuar e agradecer a DEUS pelos dons que ele nos distribuiu.

CONCLUSAO:

Minha pergunta para concluirmos hoje será diferente, ela terá uma resposta individual e silenciosa – responda para você mesmo.

  1. a) Sou agradecido a DEUS por tudo que Ele tem feito por mim? Ou Ele não tem feito nada, tudo é mérito meu.
  2. b) Reconheço realmente que é DEUS que me deu a liberdade que tenho hoje, ou isto é fruto da democracia do país que vivo.
  3. c) Estou realmente separando com alegria o Dízimo, ou o Dizimo é um peso para mim.
  4. d) DEUS está entre as minhas prioridades? Se sim, qual é sua posição?
  5. e) Estou participando regularmente das reuniões de Adoração, Agradecimento e Comunhão entre os Irmãos? Ou só participo quando sinto vontade e tenho tempo?
  6. f) E a minha “Lei da respigas”, será que não estou sendo avarento e colhendo tudo.

Meu apelo é:

Coloque DEUS em primeiro lugar e todas as coisas vos serão acrescentadas, não oferte ao SENHOR com o que está sobrando e quando falamos em ofertar estamos falando também em tempo, DEUS te deu um dia de 24h, uma semana de 07 dias, quanto disto você está ofertando a DEUS? Reveja, reavalie seus conceitos e tire suas conclusões das bênçãos de DEUS em sua vida. DEUS tem uma “porção dobrada” de benção a você, basta você ser o “primogênito” Dele. REFLITA E MUDE DE ATITUDE SE FOR O CASO.

Em tempo:

Se o povo estava peregrinando no deserto, o que eles iriam colher?

Em nossa próxima aula respondo, se você tem algum comentário ou pergunta fale conosco.

Diácono Pedro Eduardo Corona – Igreja Batista Link Church – Londres UK – 11/2012.

# fonte: Estudo produzido com base no artigo do prof. Tércio Machado Siqueira, professor de Antigo Testamento da FaTeo Metodista.