Existe um conceito que diz que quando conhecemos a origem das coisas, fica mais fácil o entendimento. Nossa intenção e objetivo nestas aulas e apresentar aos Irmãos, de uma maneira breve, algumas das festas judaicas, dissemos algumas, porque muitas outras existem, citaremos apenas as que influenciam a Igreja. Fala-se muito, dentro das igrejas e pouco se conhece a respeito da Pascoa, Pentecostes e infelizmente muitos não conhecem a origem destes acontecimentos. Esta é nossa intenção com nossa Escola Bíblica, dar uma base solida e segura aos que desejarem caminharem nas páginas da Bíblia.

Eu só poderia iniciar esta nova série de estudo com a grande “dica” que o profeta Oseias nos deixou:

O meu povo foi destruído, porque lhe faltou o conhecimento; porque tu rejeitaste o conhecimento, também eu te rejeitarei, para que não sejas sacerdote diante de mim; e, visto que te esqueceste da lei do teu Deus, também eu me esquecerei de teus filhos. (Os. 4:6).

          Este texto é o porquê não desisto de estudar a palavra de DEUS, creio que o grande pregador Billy Graham, também leva a sério este texto porque quando lhe perguntaram se fosse possível voltar no tempo o que ele faria, ele de pronto respondeu: “Estudaria mais a Palavra de DEUS”, portanto Irmãos não percam tempo, debrucem sobre a Palavra de DEUS e não se esqueçam que o “caminho” que nos leva até DEUS é de mão dupla – vai e vem, quando oramos somos nos falando com DEUS, mas quando estudamos a sua Palavra é ELE falando conosco.

         Infelizmente muitos grupos religiosos e até mesmos dentro das Igrejas tradicionais, temos Crentes que não são simpáticos a festas, tem alguns até que condenam festa de aniversários, festas cívicas etc, respeitamos, mas não é isto que vemos quando estudamos a Palavra de DEUS, tanto no V.T. como no N.T. vemos o Povo de DEUS e até mesmo JESUS participando de Festas cívicas e festa particular (casamento), isto nos leva a entender que o Povo de DEUS é um povo “festeiro” e alegre. Antes de iniciarmos nosso estudo fui aos dicionários pesquisar o significado da palavra “FESTA” e resumidamente encontrei:

 …solenidade; cerimônia com que se celebra um fato; comemoração; fato extraordinário; dia santificado…”

          Na Bíblia, mais precisamente no Pentateuco (05 primeiros livros da Bíblia), veremos claramente que a palavra “Festa” tem 3 sentidos e cada uma nos traz grande ensinamento. Todas as festas tinham datas determinadas e algumas até eram de caráter obrigatório.

1ª Sentido: Encontro

DEUS, na sua onisciência sabia que o Seu Povo viveria em lugares distantes uns dos outros, com isto, teria que promover uma maneira que eles se encontrassem para trocarem experiência entre si, e se fortalecerem.

2ª Sentido: Dia dedicado ao Senhor

A origem de Separar um dia dedicado ao Senhor, veio de DEUS, através de Moises. Por isto ela é Santa, veio de DEUS. É claro que os encontros não podiam ser apenas sociais. Tinha adoração.

3ª Sentido: Lembranças

Lembravam dos grandes feitos de DEUS em favor do povo: peregrinação; grandes conquistas e ciclos de colheitas.

Em geral e resumidamente  são estes os sentidos das Festas na Biblia:

Encontros, Adoração e Lembranças

Perguntas:

– Com isto em mente, podemos traçar algum paralelo com a Igreja de hoje?

– Por que você vai a Igreja?

Todo Culto é uma Festa de Adoração, Ensino e Confraternização, não se concebe uma festa fria e engessada, festa é festa por isto tem que ser alegre, a parte social e entretenimento dentro de uma igreja é muito importante, é neste momento que os Irmãos trocam informações salutares. Desfrute deste momento, chegue mais cedo e participe desta “festa” que está disponível a você semanalmente e lembre, após os cultos a “festa” continua, participe e veras como você crescera na comunhão com os Irmãos. Eu sou testemunha viva da importância da “cantina” após o Culto, foi numa destas conversas que eu arrumei meu primeiro trabalho aqui em Londres e permaneço até hoje.

Divisões das Festas Bíblicas:

Elas são divididas em dois grupos distintos.

1ª Grupo: Instituídas por DEUS

São as conhecidas Festas Solenes citadas na Torah (Pentateuco), portanto obrigatórias e perpetuas, estas foram dadas por DEUS a Moises:

  • Pascoa,
  • Pentecostes e,
  • Tabernáculos (Tendas, ou Cabanas).

O grau de importância destas 3 festas era tão grande que exigia o comparecimento de todos os homens validos e não incapacitados por enfermidades. O Livro de Levíticos, mais precisamente no cap. 23 nos apresenta as Festas Solenes com muitos detalhes, é interessante notarmos que os 3 primeiros versículos do cap. 23, Moises separou o Sábado das Festas Solenes. O sábado não era uma Festa Solene.

Três vezes no ano todos os teus homens aparecerão diante do Senhor DEUS. (Êx. 23:17 ).

Três vezes por ano todos os seus homens se apresentarão ao Senhor, ao seu Deus, no local que ele escolher, por ocasião da festa dos pães sem fermento (Pascoa), da festa das semanas (Pentecostes) e da festa das cabanas. Nenhum deles deverá apresentar-se ao Senhor de mãos vazias:cada um de vocês trará uma dádiva conforme as bênçãos recebidas do Senhor, do seu Deus. (Dt. 16:16-17).

JESUS que se mostrou grande cumpridor da Lei participou e usou da oportunidade e divulgava sua Mensagem.

Chegou, porém, o dia dos ázimos, em que importava sacrificar a páscoa.
E mandou a Pedro e a João, dizendo: Ide, preparai-nos a páscoa, para que a comamos. (Lc.22.7, 8).


Enquanto estava em Jerusalém, na festa da Páscoa, muitos viram os sinais miraculosos que ele estava realizando e creram em seu nome. (João 2:23).

          Muitas outras citações, nos Evangelhos, nos mostram JESUS aproveitando as Festas para dar a sua mensagem e operando milagres: Mt.26.17; Mc.14.12; Lc.22.8; Jo.13.1.

         Quando lemos At.1 e 2, veremos como DEUS usou destas Festas como estratégia de divulgação da mensagem de CRISTO. JESUS sabia que judeus de toda parte estaria em Jerusalém por ocasião da Festa, por isso, ordenou que os discípulos aguardassem em Jerusalém até o dia da Festa.

Certa ocasião, enquanto comia com eles, deu-lhes esta ordem: “Não saiam de Jerusalém, mas esperem pela promessa de meu Pai, da qual lhes falei.” (At’ 1:4).

Chegando o dia de Pentecoste, estavam todos reunidos num só lugar.
De repente veio do céu um som, como de um vento muito forte, e encheu toda a casa na qual estavam assentados.
E viram o que parecia línguas de fogo, que se separaram e pousaram sobre cada um deles.
Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar noutras línguas, conforme o Espírito os capacitava.
Havia em Jerusalém judeus, tementes a Deus, vindos de todas as nações do mundo.
Ouvindo-se este som, ajuntou-se uma multidão que ficou perplexa, pois cada um os ouvia falar em sua própria língua.
Atônitos e maravilhados, eles perguntavam: “Acaso não são galileus todos estes homens que estão falando?
Então, como os ouvimos, cada um de nós, em nossa própria língua materna?
Partos, medos e elamitas; habitantes da Mesopotâmia, Judéia e Capadócia, Ponto e da província da Ásia,
Frígia e Panfília, Egito e das partes da Líbia próximas a Cirene; visitantes vindos de Roma,
tanto judeus como convertidos ao judaísmo; cretenses e árabes. Nós os ouvimos declarar as maravilhas de Deus em nossa própria língua! (At.2.1-11).
 

          Sem sombra de dúvida, foi a maior estratégia de marketing do Evangelho, muitos peregrinos ao retornarem para suas cidades levavam as novidades.

2ª Grupo: Instituição Rabínica.

Estas Festas não foram fixadas por DEUS, mas sim pelos Rabinos, elas têm seu grau de importância devida lembrar fatos históricos que marcaram a trajetória do povo Judeu:

  • Festa do Purim.
  • Festa da Dedicação, etc.

Antes de entrarmos nos estudos das Festas propriamente ditas, daremos uma rápida noção do calendário judaico. O dia para o judeu era medido pelo por do sol, ou seja, o sol desapareceu o dia terminou e um novo dia se iniciou com isto o dia poderia terminar entre as 16 e 18h dependendo da estação do ano. O sol desapareceu o dia terminou e um novo dia se iniciou. A Bíblia Sagrada nos cita todos os meses, a títulos de nos familiarizarmos com alguns destes nomes, traçaremos um paralelo com o nosso calendário e mencionaremos as Festas correspondentes.

1- Nisã ou Abibe (Et.3.7): Março/ Abril – Festa Pascoa 
2 – Zio ou Zive (1Rs.6.1):  Abril / Maio
3 – Sivã ou Siba (Et.8.9):  Maio/ Junho – Festa Pentecoste
4 – Tammuz:  Junho/ Julho
5 – Abe, Av:  Julho/ Agosto/
6 – Elul (Ne 6.15):  Agosto/ Setembro
7 – Etanim ou Tishri (1Rs.8.2):  Setembro/ Outubro – Festa dos Tabernáculos

8 – Bul ou Marchesvã (1Rs.6.38):  Outubro/ Novembro
9 – Quisleu ou Chisleu (Zc.7.1) :  Novembro/ Dezembro – Festa da Dedicação
10 – Tebete ou Tevet (Et.2.16):  Dezembro/ Janeiro
11 – Sabate ou Sebate (Zc.1.7):  Janeiro/ Fevereiro
12 – Adar (Et.3.7):  Fevereiro/ Março –  Festa. Purim

Nossa intenção, ao estudar as Festa Judaicas, não é querer resgata-las para dentro da Igreja de hoje, como muitos estão querendo fazer, estao trazendo para dentro de suas igrejas tradições e costumes judaicos, como por exemplo, manter hasteada a bandeira de Israel no púlpito, uso do kipar, tocar o chofar e etc, Quando estudamos a Igreja de Antioquia da Síria e a Carta de Paulo aos Gálatas, nós veremos claramente que o Apostolo estava tendo sério problema nas Igrejas daquela região com os irmãos judaizantes (judeus convertidos que queriam impor a Lei aos não judeus convertidos, como por exemplo, guardar o Sábado, não comer isto ou aquilo e praticar a incircuncisao etc.), o Apostolo foi bastante claro e escreveu:

Mas, antes que a fé viesse, estávamos guardados debaixo da lei, e encerrados para aquela fé que se havia de manifestar. De maneira que a lei nos serviu de aio, para nos conduzir a Cristo, para que pela fé fôssemos justificados. Mas, depois que veio a fé, já não estamos debaixo de aio. Porque todos sois filhos de Deus pela fé em Cristo Jesus. (Gl.3.23-26.)

          Eu respeito todo judeu que guarda suas tradições e costumes, mas impor isto a não judeus, ou trazer estas práticas para dentro das Igrejas Cristã, é querer fazer a Palavra de DEUS dizer o que ela não quer e anular o “Sangue de CRISTO” na cruz. Quando estudamos as Festas Judaicas, não estamos querendo traze-las para dentro dos nossos Templos como fez o Rei Josias no seu reinado (IIRs.23,23-31), nossa intenção é ensinar para não cairmos em erros e resgatar os proposito profético das Festas que também nos apontam para CRISTO.

Diácono Pedro Eduardo Corona – 11/2012.

 (Se você tiver alguma dúvida ou comentário fale conosco).