Yom Kippur”

1ª parte:

 

“Day of Atonement”, “Dia do Perdão” ou “Dia da Expiação”, todas estas expressões traduzem o “Yom Kippur”, apesar de “perdão e expiação” terem um sentido diferente em português, aqui tem o mesmo significado.

Eu diria que o “Yom Kippur” é a data mais solene, respeitada e temida pelo povo judeu nos dias de hoje, até mesmos pelos não religiosos. Para entendê-lo se faz necessário voltarmos para peregrinação do povo judeu no deserto do Sinai.

O Povo já tinha saído do Egito atravessado o Mar Vermelho e já tinham experimentado e visto muitos sinais de DEUS (aguas amargas em agua doce, já tinham recebido o maná e as codornizes, agua da rocha em Refidim, a peleja de Ameleque), Jetro, sogro de Moises já tinha se encontrado com eles, tudo isto demonstrava claramente a presença de DEUS no meio do povo. Fazia 03 meses que tinham saído do Egito (Ex.19.1), e estavam acampados no sopé do monte Sinai na Península do Sinai. Moises foi chamado por DEUS para subir ao Monte (Sinai) para receber a “Torah”

No Monte, DEUS fizera uma promessa a Moises com duas condicionais:

Ex.19.5 Agora, pois, se diligentemente ouvirdes a minha voz e guardardes a minha aliança, então sereis a minha propriedade peculiar dentre todos os povos, porque toda a terra é minha. (Grifo é meu)

Condicionais:

  1. “Ouvir a voz de DEUS diligentemente” (com zelo)
  2. “Guardar a minha aliança”

Moises, líder não autoritário, voltou ao povo e apresentou a proposta de DEUS:

Ex.19.7,8: E veio Moisés, e chamou os anciãos do povo, e expôs diante deles todas estas palavras, que o SENHOR lhe tinha ordenado.
Então todo o povo respondeu a uma voz, e disse: Tudo o que o SENHOR tem falado, faremos. E relatou Moisés ao SENHOR as palavras do povo. (Grifo é meu)

Moises voltou a DEUS levando a aceitação do povo, DEUS então o orienta a respeito da consagração do povo a DEUS. Moises faz exatamente como DEUS lhe ordenara.

É chamado novamente ao Monte, agora para recebe as regras de DEUS.

Ex.24.18: E Moisés entrou no meio da nuvem, depois que subiu ao monte; e Moisés esteve no monte quarenta dias e quarenta noites.

Ex.20.1-17: As Regras para serem propriedade peculiar DEUS

Conforme a orientacao o povo tinha que aguardar acampados no sopé do monte e como lemos Moises demorou 40 dias para voltar e qual foi a sua surpresa: o povo, que já tinha experimentado vários milagres e aceito a condicional de DEUS, não souberam esperar pela volta de Moises e tomaram uma decisão:

Ex.32.1.Mas vendo o povo que Moisés tardava em descer do monte, acercou-se de Arão, e disse-lhe: Levanta-te, faze-nos deuses, que vão adiante de nós; porque quanto a este Moisés, o homem que nos tirou da terra do Egito, não sabemos o que lhe sucedeu. 

E a história é conhecida, fizeram um “bezerro de ouro” e começaram adorar. Entendemos que existia uma influência muito forte do paganismo egípcio no meio do povo, afinal foram 400 anos de influência egípcia, mas existia um acordo feito a 40 dias atrás e não tiveram paciência de esperar pela volta de Moises e resolveram então fazer um bezerro de ouro que simbolizava a força e a fertilidade no Egito, o interessante é ver que Arão tenta dar uma abrandada na situação mandando construir um altar e anunciando uma Festa ao Senhor,

Ex.32.5: E Arão, vendo isto, edificou um altar diante dele; e apregoou Arão, e disse: Amanhã será festa ao SENHOR. 

Realmente o povo não tinha recebido a Lei, mas existia uma promessa de fidelidade a DEUS, todo ato impensado gera consequências. Só com este fato o povo violou o 1ª, 2ª, 3ª e o 7ª mandamento, se continuarmos analisando o tamanho da “burrada”, veremos que a coisa foi mais complexa, vejam: houve uma festa e como toda festa no Egito vinha acompanhada de muita comilança, bebida de álcool e orgia tudo indica que isto talvez tenha acontecido, afinal estamos falando de um deus que simboliza a fertilidade.

DEUS alerta a Moises.

Ex.32.7: Então disse o SENHOR a Moisés: Vai, desce; porque o teu povo, que fizeste subir do Egito, se tem corrompido – (Grifo é meu).


Notem:

DEUS não mais reconhece o povo como sendo Seu, ao contrário, ele os designa como “sendo de Moises”. O furor de DEUS foi tanto a ponto de querer destruir todo o povo e iniciar uma nova geração com Moises.

Ex.32.10: Agora, pois, deixa-me, para que o meu furor se acenda contra ele, e o consuma; e eu farei de ti uma grande nação. 

         Mais uma vez no maior exemplo de liderança humana e de não autoritarismo, Moises não aceitou e suplica que DEUS perdoasse o povo.

Ex.32.11-14: Moisés, porém, suplicou ao SENHOR seu Deus e disse: O SENHOR, por que se acende o teu furor contra o teu povo, que tiraste da terra do Egito com grande força e com forte mão?
Por que hão de falar os egípcios, dizendo: Para mal os tirou, para matá-los nos montes, e para destruí-los da face da terra? Torna-te do furor da tua ira, e arrepende-te deste mal contra o teu povo.
Lembra-te de Abraão, de Isaque, e de Israel, os teus servos, aos quais por ti mesmo tens jurado, e lhes disseste: Multiplicarei a vossa descendência como as estrelas dos céus, e darei à vossa descendência toda esta terra, de que tenho falado, para que a possuam por herança eternamente.
(14) Então o SENHOR arrependeu-se do mal que dissera que havia de fazer ao seu povo. (Grifo é meu)

Temos aqui um v. polemico que muitos Irmãos, até mesmo os mais experientes coçam a cabeça e não conseguem responder:  V.14

“DEUS muda de opinião, se arrepende?”

Numa leitura rápida e querendo fazer polemica dá-se a impressão que existe aqui uma grande contradição entre o v.14, com o Ml.3.6 ou Tg.1.17, e o inimigo vibra com isto.

 Ml.3.6: Porque eu, o SENHOR, não mudo; por isso vós, ó filhos de Jacó, não sois consumidos. 
 Tg.1.17: Toda a boa dádiva e todo o dom perfeito vem do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não há mudança nem sombra de variação. (Grifo é meus)

Realmente DEUS não muda e jamais se arrependeria de algo, o arrependimento é um sentimento humano que só acontece quando alguém faz ou deixou de fazer algo, o nosso DEUS é imutável no seu SER, e eternamente fiel as SUAS promessas e alianças, ELE jamais destruiria todo o povo e iniciaria uma nova geração com Moises, até por conta de uma aliança que fizera com Jacó a respeito dos seus 12 filhos. Moises era da Tribo de Levi. Moises, como vimos orou desesperadamente e DEUS resolve dar outra oportunidade ao povo.

Até ai está tudo simples.

Qualquer crente sabe que diante do pecado DEUS sente ira, mas quando há arrependimento sincero sua misericórdia excede a ira e a Bíblia está recheada de capa-a-capa destas novas oportunidades:

As misericórdias do SENHOR são a causa de não sermos consumidos, porque as suas misericórdias não têm fim; Lm.3.22. 

Para entendermos este e outros textos Bíblicos que nos mostram DEUS mudando ou se arrependendo de algo, temos que conhecer duas figuras de linguagem muito usada por compositores de músicas e poetas que nos explicam muito bem estas situações:

·                  ANTROPOPATISMO

·                  ANTROPOMORFISMO

As duas se referem a DEUS, resumidamente diríamos que a primeira é quando se atribui a DEUS sentimentos humanos (sonho, alegria, ira, etc) e a segunda quando se atribui a DEUS forma humana (olho, mão, pés, etc). O que aconteceu aqui neste texto foi o que os linguistas chamam de antropopatismo, ou seja, que é “atribuir á algo características próprias só do ser humanos”, no caso aqui Moises fez isto, atribuiu a DEUS uma característica humana. Os compositores musicais evangélicos abusam destas duas figuras de linguagem quando falam dos “sonhos de DEUS”, DEUS não dorme, portanto não sonha. Os Salmos, e em especial os de Davi também são riquíssimos nesta técnica linguística:

 Sl.34.15: antropomorfismo

“Os olhos do SENHOR repousam sobre os justos, e os seus ouvidos estão abertos ao seu clamor”

Sl, 38.2: antropomorfismo

Porque as tuas flechas se cravaram em mim, e a tua mão sobre mim desceu. 

Sl.39.10: antropomorfismo

Tira de sobre mim a tua praga; estou desfalecido pelo golpe da tua mão. 

Poderíamos dar uma lista enorme destes exemplos.

Um grande exemplo clássico de antropopatismo nós encontramos em

1ª Sm.15.35: E nunca mais viu Samuel a Saul até ao dia da sua morte; porque Samuel teve dó de Saul. E o SENHOR se arrependeu de haver posto a Saul rei sobre Israel. 

O antropomorfismo aqui indica a profunda tristeza com que Deus ficou pelo fracasso de Saul. Lembrem bem: O reinado era um projeto humano do qual Deus participou apenas indicando Saul. O rei, no entanto, afastou-se de Deus

E muitos outros exemplos de antropomorfismo, temos na Bíblia, Paulo também usou esta técnica de escrita. Nós sabemos muito bem que o nosso DEUS É ESPIRITO E IMUTAVEL portanto não tem composição corporal e nem muito menos os nossos sentimentos, eu diria que os dois sentimentos humanos de DEUS são AMOR e MISERICORDIA.

Antropomorfismo não é só um privilégio dos autores Bíblicos, escritores infantis, também abusam desta pratica e eu diria que o campeão foi o Walt Disney, ele em sua imaginação atribuiu a animais e aves características que são exclusivamente do ser humano, isto também é chamado de linguagem Antropomorfica, temos também os autores do “Smilinguido”

Voltando a Bíblia, todas as vezes que lermos alguma característica humana em DEUS, o texto NÃO é literal, é figurado, diríamos que esta forma foi a maneira mais fácil que o ESPIRITO SANTO usou para tornar a mensagem mais simples.

Moises quando chegou no acampamento viu com os próprios olhos o “bezerro de ouro e a festa, irou-se de tal maneira que quebrou as 02 “tabuas da lei”:

Ex.32.19: E aconteceu que, chegando Moisés ao arraial, e vendo o bezerro e as danças, acendeu-se-lhe o furor, e arremessou as tábuas das suas mãos, e quebrou-as ao pé do monte;

Quando continuamos lendo o texto, vemos que Moises faz uma convocação:

Ex.32.25-29: E, vendo Moisés que o povo estava despido, porque Arão o havia deixado despir-se para vergonha entre os seus inimigos,
Pôs-se em pé Moisés na porta do arraial e disse: Quem é do SENHOR, venha a mim. Então se ajuntaram a ele todos os filhos de Levi.
E disse-lhes: Assim diz o SENHOR Deus de Israel: Cada um ponha a sua espada sobre a sua coxa; e passai e tornai pelo arraial de porta em porta, e mate cada um a seu irmão, e cada um a seu amigo, e cada um a seu vizinho.
E os filhos de Levi fizeram conforme à palavra de Moisés; e caíram do povo aquele dia uns três mil homens.
Porquanto Moisés tinha dito: Consagrai hoje as vossas mãos ao SENHOR; porquanto cada um será contra o seu filho e contra o seu irmão; e isto, para que ele vos conceda hoje uma bênção. (grifo e meu)


A quebra das “Tabuas” custou muito “caro” a Moises, ele teve que lavrar outras duas e levar até o cume do morro: Ex.34.1-4. As Primeiras foram lavradas por DEUS.

Onde entra o “Dia do Perdão”?

Este será o nosso próximo tema.

Diácono Pedro Eduardo Corona

Igreja Batista Link Church – Londres UK – 11/2012

 

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