Yom Kippur – parte 2

            Recapitulando a aula passada, o Yom Kippur” ou “Dia do Perdão”, relembra a história de quando Moisés desceu do Monte Sinai, também conhecido por Horeb para encontrar Arão e os israelitas e apresentar-lhes a “Torah” (2 Tabuas da Lei). A cena que ele encontra é desesperadora, o mesmo povo que já tinha experimentado os vários milagres de DEUS e tinham feito a alguns dias atrás (40 dias) uma promessa de fidelidade a DEUS tinham feito um “bezerro de ouro” e estavam o adorando e festejando. Moises ficou furioso e num ato impensado atirou as duas Tabuas da Lei, que DEUS tinha esculpido, ao chão que se quebraram. Este seu descontrole lhe custou muito caro, ele teve que lavrar duas outras pedras e leva-las sozinho ate o cume do íngreme monte. Pesquisando sobre o Monte Sinai, descobri que hoje existe uma escadaria que leva até o cume do morro, são 4000 degraus e uma pessoa bem preparada fisicamente não leva menos de 03 horas para subir, pense nos dias de Moises, sem escadas e carregando todo aquele peso.

Fica muito fácil entendermos está “festa e o Bezerro”, saíram juntos com os hebreus do Egito, outros povos que tambem viviam escravos no Egito, os costumes egípcios esta enraizados no povo, Moises convocou uma grande assembleia para exortar e lembrar o povo do pacto que tinham feito com DEUS, quem não compareceu foi morto, uns 3000 homens morreram. Para entendermos bem esta tragédia basta lermos Ex.32.

Moisés voltou para o Monte Sinai, com as pedras nas costas em busca do perdão de Deus para os israelitas, permaneceu lá por mais 40 dias, esta foi a 3ª vez que Moises subira neste Monte:

Cada vez que subiu ao monte permaneceu lá por 40 dias. Foi na 2ª vez que ele se colocou entre as pedras e viu um “vulto” de DEUS. Até que no dia 10 de Tishrei (Yom Kippur), ele recebeu de DEUS o perdão e a reconciliação do povo com o Deus, Moisés retornou para os israelitas com as novas Tabuas da Lei e este dia é comemorado até os dias de hoje como o “Dia do Perdão”. Seu rosto estava resplandecente e ele não sabia:

Lv.16.29-31: E isto vos será por estatuto perpétuo: no 7ª mês (Tishi), aos 10 dias do mês, jejuareis e nenhum trabalho fareis nem o natural nem o estrangeiro que peregrina entre vós. Porque nesse dia se fará expiação por vós, para purificar-vos; e sereis purificados de todos vossos pecados perante o Senhor. É um sábado de descanso para vós, e devereis jejuar; isto é estatuto perpétuo.

Começa no crepúsculo que inicia no dia 10 do mês de Tishrei (que coincide com Setembro / Outubro), neste ano de 2012 será no crepúsculo do dia 25 de Setembro e se estendera até o por do sol do dia 26. Lembrem o dia no calendário judeu se inicia com nascimento de uma estrela no céu e vai ate o por do sol do outro dia. Os judeus tradicionalmente observam esse dia com um período de jejum absoluto por 25 horas (nenhum tipo de alimento solido ou liquido, inclusive agua), a abstinência sexual também é respeitada neste dia, nenhum tipo de calcados ou roupas de couro pode ser usado, perfumes, cremes ou qualquer tipo de cosmético também não podem ser usados, banhos longos e prazerosos também são proibidos, atividade profissional nem pensar, uma lista dos pecados deve ser feita e no dia apresentada a DEUS com muita suplica. Só estão livres deste jejum somente as crianças com menos de 13 anos e os enfermos devidamente atestados por médicos judeus. Nada funciona neste dia, do transporte coletivo ao comercio, para tudo, a única atividade fora as suplicas de perdão, são os guardas de Israel, porque estes nunca podem dormir. Neste dia no ano de 1973 (06/ Outubro) uma coalizão Árabe liderada pelo Egito e Síria fazerem um ataque surpresa contra Israel, a intenção da coalizão era empurrar a nação de Israel para o mar, conseguiram avançar no território israelense por apenas 48h, e Israel reverte a situação e empurra os inimigos de volta chegando muito próximo de Damasco capital da Síria, e tomando o controle total do Canal de Suez, então controlado pelo Egito, esta guerra ficou conhecida como a “Guerra do Yom Kippur”, existe um farto matéria na intermete (youtube) inclusive com cenas reais da guerra, vale apena ler e assistir algo sobre esta recente guerra, que nos mostra claramente como DEUS guarda os seus.

De acordo com o “Talmude”, que são registros das discussões rabínicas a respeito da Lei, da ética, costumes e história do judaísmo, no “Yom Kippur” a purificação acontece somente dos pecados entre o homem e Deus. Para limpar os pecados contra outra pessoa, o judeu deve procurar a pessoa para buscar uma reconciliação. No mínimo, deve pedir desculpas por suas ações e, se possível, corrigir qualquer ato errado que tenha cometido. Isso deve ser feito durante os 10 dias antes da realização do “Yom Kippur”, dias ficaram conhecidos como “Dias do Esplendor”.

Yom Kippur no contexto da Torah

Enquanto o “Templo” existiu, o Sumo Sacerdote, que era o representante do povo judeu diante de DEUS, fazia expiação pelos seus pecados e por Israel nesse dia. Em hipótese alguma o Sumo Sacerdote concedia absolvição dos pecados. O perdão provém exclusivamente e somente de Deus. Nenhum ser humano na face da terra foi investido para conceder perdão, perdão é um atributo exclusivo de DEUS.

Lv.16.1-7: E falou o SENHOR a Moisés, depois da morte dos dois filhos de Arão, que morreram quando se chegaram diante do SENHOR.
Disse, pois, o SENHOR a Moisés: Dize a Arão, teu irmão, que não entre no santuário em todo o tempo, para dentro do véu, diante do propiciatório que está sobre a arca, para que não morra; porque eu aparecerei na nuvem sobre o propiciatório.
Com isto Arão entrará no santuário: com um novilho, para expiação do pecado, e um carneiro para holocausto.
Vestirá ele a túnica santa de linho, e terá ceroulas de linho sobre a sua carne, e cingir-se-á com um cinto de linho, e se cobrirá com uma mitra de linho; estas são vestes santas; por isso banhará a sua carne na água, e as vestirá.
E da congregação dos filhos de Israel tomará dois bodes para expiação do pecado e um carneiro para holocausto.
Depois Arão oferecerá o novilho da expiação, que será para ele; e fará expiação por si e pela sua casa.
Também tomará ambos os bodes, e os porá perante o SENHOR, à porta da tenda da congregação.

            Somente no dia do “Yom Kippur o Sumo Sacerdote entrava no lugar chamado “Santo dos Santos”, onde estava a “Arca”, (1ª no Tabernáculo e depois no Templo), neste ambiente só podia entrar o Sumo Sacerdote uma vez por ano para expiar seus pecados e do povo. Primeiro tinha que expiar os seus pecados que depois de confessados e aceito ele aspergia um pouco de sangue de um touro sobre a “Arca”, antes de entrar no ambiente ele tinha que tomar um banho completo e vestir uma veste especial (totalmente branca), amarrava-se uma corda em um de seus pês e só ai ele entrava no “Santo dos Santos”, caso o Sumo Sacerdote ter esquecido algum seus pecados ele seria morto ali, a corda era para removê-lo do “Santo do Santo”. Em seguida ele saia do ambiente e pegava 02 bodes; um deveria ser morto e seu sangue também aspergido sobre a “Arca” para perdão dos pecados do povo; o outro depois que o Sumo Sacerdote ter saído com o perdão, orava impondo as mãos sobre a cabeça do 2ª bode e simbolicamente transferia todos os pecados do povo a este bode, em seguida o bode era levado por um gentio ao deserto e solto, este bode ficou conhecido como “bode expiatório”. Todas as vísceras e peles dos animais sacrificados tinham que ser queimados fora do arraial e as cinzas espalhadas.

Leia todo o cap. 16 de Levíticos com esta visão, que tudo ficará mais fácil.

O “Yom Kippur”, como já dissemos é observado ate nos dias de hoje, até mesmo pelos judeus não religiosos, observando apenas os jejuns e feriado nacional. Acredita-se que com a destruição do Templo por Nabucodonosor, a “Arca” sumiu, alguns estudiosos defendem a ideia que foi o Profeta Jeremias que a escondeu, teremos que perguntar a ele quando chegarmos ao Céu, os sacrifícios foram suspensos, então nos tempos de CRISTO não existia nenhum tipo de sacrifício animal para expiar pecados, por este motivo que não vemos menção desses sacrifícios no N.T.

Hb.10.1-7 (Linguagem de Hoje)

1 A lei dada por Moisés não é um modelo completo e fiel das coisas verdadeiras; é apenas uma sombra das coisas boas que estão para vir. Os mesmos sacrifícios são oferecidos sempre, ano após ano. Portanto, como pode a lei, por meio desses sacrifícios, aperfeiçoar as pessoas que chegam perto de Deus?

2 Se as pessoas que adoram a Deus tivessem sido purificadas dos seus pecados, não se sentiriam mais culpadas de nenhum pecado, e todos os sacrifícios terminariam.

3 Em vez disso esses sacrifícios, realizados ano após ano, servem para fazer com que as pessoas lembrem dos seus pecados.

4 Pois o sangue de touros e de bodes não pode, de modo nenhum, tirar os pecados de ninguém.

5 Por isso Cristo, ao entrar no mundo, disse: “Tu, ó Deus, não queres animais oferecidos em sacrifícios nem ofertas de cereais, mas preparaste um corpo para mim.

6 Não te agradam as ofertas de animais queimados inteiros no altar nem os sacrifícios oferecidos para tirar pecados.

Sl.51.17: Os sacrifícios que agradam a Deus são um espírito quebrantado; um coração quebrantado e contrito, ó Deus, não desprezarás.

Os.14.2:Eu não quero de vocês sacrifícios e oferecimentos, mas palavras (de contrição); como é dito, “Tomai convosco palavras, e convertei-vos ao SENHOR

 

Reflita, quem derramou seu sangue para expiar nossos pecados?

Se você tem algum comentário ou perguntas, fale conosco.

 

Diácono Pedro Eduardo Corona.

London-UK – 2012.